NA TRILHA DE HENRY KOSTER 200 ANOS DEPOIS

Foto: Divulgação

O livro Travels in Brazil, escrito pelo inglês Henry Koster, um viajante do Brasil do século XIX, traduzido por Câmara Cascudo nos anos 1940, que deu o título “Viagem ao Nordeste do Brasil”, tornou-se há alguns anos objeto de estudo do pesquisador Flávio Hildemberg Gameleira, que é cirurgião dentista e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema/UFRN). Mas não lhe interessava apenas o aspecto histórico que, obviamente, um livro escrito há 200 anos traz em si.

O mote inicial que lhe despertou o interesse inicial foi a descrição do vaqueiro nordestino que tanto lhe chamou a atenção, quando se deparou com um desenho, cuja origem era o livro do inglês, que iniciou sua jornada em 1810 e publicou o livro em 1816. Assim, nasceu “200 Anos de Viagem de Henry Koster pelo RN”, que trata de aspectos ambienteis, históricos e culturais no Rio Grande do Norte de ontem e o atual. O lançamento será na próxima terça-feira, 5 de setembro, às 11h, na Cooperativa Cultural Universitária, no Centro de Convivência da UFRN. O livro, que faz parte da Série Humanidades I da Caravela Selo Cultural, custará R$ 40.

Gameleira conta que quando finalmente encontrou o livro em sebos virtuais Brasil afora, leu atenciosamente os dois volumes, especialmente o 1, no qual consta o território norte-rio-grandense. “As aventuras de Henry Koster pelo Brasil me levaram a imaginar que sua rota poderia ser um bom tema para realização de uma viagem”, diz. Os contratempos de estudos e trabalho tiveram que adiar seu sonho, até que ano passado a UFRN lançou um edital para novos projetos de extensão e finalmente o “Projeto K200: a viagem de Henry Koster pelo Rio Grande do Norte, sob o olhar socioambiental contemporâneo” saiu do papel e tornou-se realidade.

“Koster tomava nota sentado na porta da casa-grande, pisando o massapê do canavial, cochilando no embalo da rede, sacudido no choto do cavalo tungão, mastigando léguas-de-beiço”, descreve o prefaciador, jornalista Vicente Serejo, sobre as notas de Cascudo no livro original, intervenções que se tornaram um verdadeiro “livro dentro de outro livro” e que conferem ainda mais ímpetos de curiosidade a qualquer leitor. “Não foi menos árdua, duzentos anos depois, a viagem do projeto K200. Se não teve problemas com meios de transporte no século XXI, como enfrentou Henry Koster no lombo dos animais, precisou ir não apenas a uma numerosa bibliografia, como sonhar e procurar por detalhes que por acaso tenham sobrevivido ao longo de dois séculos”, escreve Serejo.

NÍSIA FLORESTA

Durante a primeira fase da pesquisa – em maio de 2016, o grupo revisitou os lugares em que o historiador passou. E a cidade de Nísia Floresta, antiga Vila de Papary, foi uma das que recebeu a visita do ilustre historiador. Clique aqui e relembre.

Durante a visita da equipe à visita à Nísia Floresta. (Foto: Arquivo ND)

O inusitado de sua presença em solo nisiaflorestense é que ele estabeleceu diálogo, na época, com o pai da escritora Nísia Floresta, Dionísio Gonçalves Pinto, no ano de 1810, quando a escritora ilustre estava, ainda, na barriga de sua genitora, Clara Freire.

Da Redação / Do Nísia Digital

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